Você gosta de ler? Quer ganhar um presente?

Certamente não é surpresa nenhuma para você, astuto estudante, se eu disser que o Brasil tem vários desafios no que se refere às políticas públicas. Dos mais evidentes desafios estão: proporcionar uma educação pública de qualidade e um atendimento digno na saúde pública. Pois bem, embora eu goste de debater sobre esses assuntos, vou me ater a um outro desafio para as políticas públicas: a formação de leitores.

A série de pesquisas “Retratos da Leitura”, de iniciativa do Instituto Pró-Livro e aplicada pelo Ibope, traz em sua 4ª edição (2015) resultados que me chamam atenção. Destaco alguns:

  1. O critério para designar leitor é flexível, basta o entrevistado mencionar que leu nos últimos 3 meses um livro (inteiro ou em partes). Mesmo assim, praticamente metade da população brasileira é não leitor (44%).
  2. A média de livros lidos aumentou comparada as edições anteriores, totalizando 4,96 por habitante/ano, embora continue baixa. Na Europa, em pesquisa de 2011, o país que continha a maior quantidade de leitores era a Espanha, com uma média de 10,4 livros por habitante/ano. Particularmente, acho que o ideal seria de 12 livros por habitante/ano.
  3. O perfil dos leitores brasileiros continua a seguir uma tendência por leituras de gênero religioso, infanto-juvenil e de autoajuda. O conhecimento da literatura brasileira é modesto e o da leitura estrangeira é quase inexistente.

Há outros dados muito importantes e interessantes, os quais você pode conferir no hiperlink acima. Contudo, a partir do que mencionei podemos fazer algumas considerações para contribuir com o debate, que pode aparecer tanto na redação do ENEM como de Concursos.

A leitura é importante, e eu acredito que nenhuma pessoa em sã consciência diria o contrário, uma vez que ela é um princípio básico para exercer a cidadania. Contribui para a formação do sujeito e na sua respectiva relação com o mundo; é instrumento de acesso às demais áreas do conhecimento e de aquisição do saber técnico-profissional, além de proporcionar uma efetiva liberdade, favorecer a construção da fabulação e do pensamento crítico. Ainda, você já se imaginou passar no ENEM ou em algum Concurso sem ler bastante?

Se a leitura é tão importante, por que ela, então, não é valorizada e tampouco praticada, especificamente a leitura de literatura?

Uma das minhas hipóteses, defendida em dissertação de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFJF no ano de 2014, é que o Brasil não é um país de leitores, porque não formou o habitus da leitura. Em nosso contexto histórico alguns acontecimentos corroboram para isso. Em resumo, destaco:

  1. a censura à leitura foi uma constante em vários períodos de nossa História. Para se ter um exemplo, os primeiros folhetins, jornais e revistas começam a circular no Brasil em 1821, quando da revogação da Imprensa Régia. Em outros momentos, como no Estado Novo e na Ditadura Civil-Militar, houve uma caça às bruxas, principalmente a autores considerados comunistas e subversivos;
  2. a instalação do mercado editorial foi tardia no Brasil (somente em meados do século XIX), com as livrarias Laemmert (1833) e Garnier (1844). Mesmo assim, ficava mais barato importar livros da Inglaterra e da França do que produzir no Brasil;
  3. a expansão e a universalização da educação pública é muito recente. Só começamos a falar em educação pública a partir de 1932, sendo que somente em 1971 tivemos a obrigatoriedade dos 8 anos iniciais, assim mesmo para atender a formação tecnicista daquele momento;
  4.  tradição da formação focada em livros didáticos, que não estimula a leitura por prazer e dos diversos gêneros de ficção – é algo bem pragmático voltado para avaliações e seleções;
  5. influência marcante da cultura audiovisual na vida do brasileiro a partir do século XX com o rádio, o cinema e a televisão; e
  6. herança do analfabetismo. Embora o analfabetismo tenha diminuído em termos percentuais, sabemos que temos o analfabetismo funcional (compreensão de texto rudimentar), que impacta a vida de milhões de brasileiros.

Esse quadro nada animador coloca sérios desafios para as políticas públicas culturais e educacionais. Talvez o “projeto nacional” seja esse mesmo: manter a maioria da população alijada de bens simbólicos importantes. “Mas nem tudo está perdido, amor!”, já dizia o poeta. Há uma PEC desde 2005 no Congresso (neste momento está no Senado), que instituí o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), que é uma esperança para transformar o Brasil em um país de leitores, colocando as políticas públicas de incentivo à leitura como política de Estado e prevendo recursos no orçamento público com o intuito de viabilizar as ações e metas planejadas.

Se eu fosse indicar alguma intervenção social, como é solicitado na redação do ENEM, podendo também se adotado em considerações finais de redações de concursos, apontaria a necessidade de se realizar um pacto nacional e dos entes federados em prol da valorização e de investimentos em políticas públicas de incentivo à leitura; formação permanente que envolva pais, professores e bibliotecários, para que estes sejam leitores e também mediadores da leitura; formulação e execução de planos municipais de incentivo à leitura; investimento em bibliotecas públicas; e realização frequente nos municípios de bienais e semanas do leitor, livro e leitura.

[Antes de prosseguirmos, convido você a conhecer o nosso curso de preparação para o ENEM e baixar gratuitamente as aulas demonstrativas em nosso site: www.estrategiaenem.com]

Professor, cadê o presente que você falou?

No ano de 2011, publiquei o livro de minha autoria “Contos que Jorge Luis Borges e Machado de Assis Elogiaram”. Vou disponibilizá-lo em arquivo PDF, gratuitamente, para você. Essa é uma maneira de eu contribuir, minimamente, com a prática da leitura e com a formação de um público que goste de literatura. Porém, atenção: leia no seu momento de descanso, de repouso, de entretenimento. Para recebê-lo, basta fazer o cadastro na minha lista de e-mail. No dia 23/06 (próxima sexta-feira) irei enviá-lo para seu e-mail. Fique à vontade para lê-lo e distribuí-lo para demais interessados.

[Convido você curtir a minha página no Facebook (Professor Raphael Reis), se inscrever no meu canal do Youtube e me adicionar em seu Instgram: profraphaelreis]

Próximos Aulões ao vivo:

Tema: Sistema Carcerário no Brasil

Público: ENEM e Concursos

Data: 20/06

Horário: 19h

Local: canal do YouTube do Estratégia ENEM e no canal Don Raphael Reis

Tema: Análise da obra “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos

Em pareceria com a Profª. Rafaela Freitas =)

Público: ENEM e demais interessados

Data: 05/07

Horário: 19h

Local: canal do YouTube do Estratégia ENEM